sábado, 30 de setembro de 2017

Troféus e medalhas - versos

                                            para J.C.G.

Troféus e medalhas,
Mesmo de ouro o tempo corrói
Ou Esquece.

O que vencerá o esquecimento?
Somente a Verdade Revelada
E os que a Esta se aliarem.

A Poesia Verdadeira se lembra,
Daqueles que te ajudaram,
Não é trabalhar em vão,
Mas o de lembrar o mais precioso é o tesouro divino.

"Fazei isto em memória Dele"

M. I. , CPS, 30.9.17

As mesmas velhas músicas - reflexão estética

Ainda há diversas músicas a descobrir, boas, mas na falta de tempo, no dia a dia, vamos com as velhas e boas músicas, com aquele também velho e salutar ideal de beleza, de verdadeira bondade e inequívoca verdade. A atualidade está, no geral, obsoleta, e se afunda em corrupção, política, ética e moral, as três juntas, nada por acaso, justamente num tempo que detesta as ideias e a filosofia. É verdade que há a verdadeira e a falsa filosofia, os conhecimentos genuínos e os falsos.

As coisas acontecem, nós agimos, pessoas vem e vão na nossa vida e coração. Mas algumas músicas perduram mais, junto com alguns livros e filosofias. Amigos voltam, perdões são feitos, outros não voltam, e vamos em frente e pra cima.

E algumas canções nos acompanham, lembrando pessoas, olhares, gestos, perfumes, mesmo cílios.as não são exatamente as canções, mas o verdadeiro, bom e belo, que mais almejamos, e as pessoas com as quais vivemos estas coisas e não seus contrários. E os momentos verdadeiramente sublimes, contra a miserável e sórdida sublimação psicanalítica, esta que nos animaliza, mas não, o verdadeiro delírio, sair deste mundo, com plena lucidez, alegria e leveza, e por instantes contemplar e viver as formas perfeitas, verdadeiras, boas e belas, do mundo perfeito é ideal, o Mundo das Ideias, de Platão, ou ver e viver o Ato Puro, de Aristóteles, por meio da simples, poderosa e delicada Poesia e Musica, as genuínas, cujas falsas são meras imitações, genéricos, falsificações. Imensamente melhor as mesmas e velhas músicas do que um apenas música podre a mais, desta nova e abundante torpeza, onde o mais avançado é o mais decadente.

A Música e a Poesia, uma vez sequer que o coração humano as ouve, da mesma forma que a alma que uma vez sequer vive amor ou a Verdade, o Bem e a Beleza, jamais pode esquecer estas Três, e as busca até o fim, almeja nada mais que o infinito e a perfeição, mesmo que isto implique morrer. "O coração humano busca insaciavelmente a mais perfeita felicidade, e só a encontra plena em Deus", ideia de Santo Agostinho.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A unidade das minhas partes variadas - Verso

        A unidade das minhas partes variadas

Sou adulto, criança e ancião.

Parte de mim é adulta.
Estudo os números para ganhar moedas para comprar vida.
Suo meu sal,
nesta terra calorosa e amorosa.
Na pele cicatrizes de muitas lutas.
Nesta idade sou duro e solitário.
Mas a minha tristeza é boa e não amarga.
Ela é mesmo sacrifício, e tempera de sal e atenção à minha criança e ao meu ancião.
Estas são minhas mãos e meu corpo.

Parte de mim é uma criança ingênua e inocente.
Brinca, ri e sorri.
Conversa com todos e todos me encantam.
O dia a dia é seu parque de diversões e desfile de sonhos vivos.
Aqui está meu coração.
Nas pedras preciosas dos olhos moram duas estrelinhas.

Parte de mim é anciã.
Amiga da genuína sabedoria da terra e amadora da verdade revelada.
Este é meu rosto, translúcido e hálito de vento e flores.
Sou assim um, mas sem solidão triste, mas amplo abraço ao ser.
Tenho dois milênios, anos não contam mais, e quero vir a ser eterno e feliz no Céu com e para o que é Infinito e Perfeito.
Aqui está a minha alma e o meu olhar, que dá luz aos meus olhos de criança.

Parece que meu adulto cuida da minha criança e do meu ancião. Porém são o ancião e a criança que cuidam e levam o adulto.

Duelamos com o Mal com alegria, no meu labirinto e no labirinto do mundo.

Para um belo dia,
ver a Deus,
e espero,
passar no juízo, e com tudo do mais belo e puro de mim, depurado, e somente,
Poder Lhe sorrir, e a todos os Anjos e Santos.

                                            M.I.

                                 Cps, 21.9.17



Texto e contexto - para a passarinha encantada e desastrada, minha amiga imaginária

      Na época que vivi um triplo, longo e simples grande amor, um amor de casal real, o escrever do último capítulo do meu livro, Lis (sobre a pureza e se abrir), sobre o tema renascer, e ao mesmo tempo do meu autodescobrimento e amor a mim mesmo, eu estava vivendo o "texto". Não sabia ainda qual era o "contexto" e o seu desfecho.
       No céu, aprender a ver, na terra, lembrar. Pindaro (de memória, digo, a citação, sem ironia)

       Só depois reconheci que vivi este simples, desajeitado, grandioso e puro amor. E que seu nome é amor ao próximo como a si mesmo. E que ele me levaria a uma grande provação e tribulação. Eu caí profundamente no abismo. E Deus ouviu minhas lágrimas, não mais minhas falsas mestras Clarice Lispector, Cecília Meireles, que haviam me resgatado da primeira vez, mas anjos da sua própria providência agindo em um amigo e uma amigas puros e concretos, o contexto final e desfecho, desta que foi uma de minhas odisseias até agora.

Bom, como ela continua reclamando, certamente ela está bem de novo, daquele jeito lindo, desastrado e encantado. E não precisa ficar dando indireta. Falo diretamente mesmo, não com ela, mas sobre ela. Ela não é mais problema e felicidade minha, pois sendo justo, além dos defeitos, ela tem um grande coração e é brilhante. Se não fosse o Fim dos Tempos, talvez houvesse tempo de ser uma grande poetisa, nessa época em que a verdadeira poesia de fato morreu (motivo pelo qual talvez eu não escreva outro livro). O meu problema e felicidade elevada e fazer bom proveito destas memórias lindas e terríveis. Ela e a memória dela são coisas bem diferentes. Por isso, para quem escreve é imprescindível ler os verdadeiros grandes autores, ainda que a maioria, mesmo que geniais, sejam ciladas. Provar o fruto proibido do conhecimento do bem e do mal. Melhor ser católico. Procurem a Fraternidade São Pio X, amigos, ela está espalhada no Brasil. Tem um site dela em português, dê busca na internet. Sugestão do melhor que aprendi. Investigue. "Quem procura, acha".



domingo, 17 de setembro de 2017

Odisseias, vida e obra - crônica autobiográfica

Numa vida individual há tempo para algumas poucas odisseias pessoais. Tive duas até agora, e começo a terceira. Primeiro, a infância, este formidável tesouro. Logo depois, em tenra idade, adoeci severamente, entrando no País das Maravilhas, ao mesmo tempo em que parcialmente cresci. Não tive uma adolescência realmente, como quase todos tem. Estive numa casa de sonhos, na maior parte, ainda que tenha recebido o convite de um renomado professor australiano para bolsa de mestrado em filosofia na Austrália, e o elogio de outro destacado professor brasileiro, “teu caminho é extremamente fértil”. Eu caíra no abismo. Dois anjos humanos me foram enviados, uma foi Clarice Lispector, pelos seus livros, outra Cecília Meireles. Entrei no portal da grande poesia, como leitor, e em dez anos escrevi um livro de poemas, fui vivendo, e ao final deste tempo, conheci um simples e grande amor. Isso me levaria ao fascínio e ao delírio. Veja-se que o delírio tem dois sentidos, loucura e transcendência, distintos e separados, porém, relacionados. Como aquele que sai da caverna, como em Platão, e vê o sol, pela primeira vez, fascínio e delírio, este, especialmente aos olhos dos outros, os amigos dentro da caverna, que acham que você é que entrou na caverna, e não o inverso. Meu livro, “Lis”, foi sobre a busca da pureza e de florescer humanamente, e essencialmente renascer, o que me levou afinal ao catolicismo apostólico romano, nesta terrível época. (Tu és Pedro, e sobre esta pedra edifico minha igreja. Tudo que ligares na terra ligarás no Céu, sobre ela as portas do inferno não prevalecerão. São Mateus, 16, 13. Pois é, já estamos nesta época das portas do inferno.)
Em algumas coisas eu não tomo jeito. Rsrsrs. Soltei passarinhos por aí. Eles vieram me contando que ela só recentemente se recuperou, e ainda guarda uma grande mágoa velada, de uma profunda cicatriz no mais fundo do peito e do coração. Bom, eu sei. Eu também. Mas o mais importante é que cicatrizou, e estamos razoavelmente bem e tocando a vida para frente e para cima, ainda que escapem umas reclamações do passado. Terrível e temível orgulho da inteligência, gosta muito de reclamar. Não temos um coração de pedra, entretanto.
Mais do que isso, o amor de casal, o ápice do amor ao próximo, na terra, digo, no mundano, não há. Mas é bem inferior, aqui e depois, ao amor a Deus, que é ao perfeito, a caridade. Dez mil maníacos não nos convencerão que a maré, e nem o tempo, pode voltar. Eu encontrei pureza, no meio de um amor em guerra, com um outro coração em flor, que se foi, e deixou o caminho preparado para o verdadeiro amor, a caridade. Renasci. Esta segunda odisseia se encerrou, e a seguinte, a terceira, se abriu. Vida e obra.

Obs: eu vi meus poemas recentes. Eles estão bem ruins, uma cópia mal feita de meu próprio estilo anterior. São da forma como eu fui, uma forma de escrever, que aprendi e desenvolvi, ligada à forma que eu vivia. Mudei, não posso nem consigo mais escrever da forma que escrevia como antes. Mas há alguma coisa muito bonita dentre de mim, que cresceu, inclusive, mas ainda está, nesta nova fase, aprendendo a andar de novo, junto com os aprendizados anteriores. Ainda estou aprendendo a escrever de novo, com um novo estilo e método, novos assuntos e ideias. Há uma enorme responsabilidade em escrever. Pois a letra mata. Não dá vida. Apenas favorece a vida, porém a negativa é direta. A Verdade dá a vida, a mentira a tira. Contudo, as palavras tem um poder precioso e sagrado.

domingo, 18 de junho de 2017

Algum segredo nos olhos - poema

  Algum segredo nos olhos

         Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
         Porque a boca fala do que lhe transborda do coração.

                                    Evangelho de São Mateus

Deus me abriu o coração,
não foi a imortal amada.
Esta foi a mensageira.

A alma renasce para a vida e o mundo.

Amada, somos espelhos da luz.

Era alguma coisa de ingênuo,
olhos frescos como a manhã,
leves como sopros da infância.

Seu rosto como uma flor
tinha algo de inocente
com a bondade das mães,
a calma e força das lagoas.

Faces como espelhos de faces.

No olhar docemente desajeitado
e sincero, bem vestido de prudência,
brilhavam duas pérolas de estrela
adornadas pela graça resplandescente:
um pouco de sutil e poderosa pureza.

Todos nós,
como estrelas peregrinas
buscamos incansavelmente,
dia após dia, lágrima por lágrima,
e a cada sorriso;
percorremos a vida, sabendo ou não,
pela perfeição que nos criou,
perdemos a nossa
e é o que nosso coração mais quer
com todas as forças,
reencontrar esta Perfeição.


                             Cps, 18.6.17, M.T.I.

*Bastante imitativo de mim mesmo e docemente desajeitado. Obs. própria
 M. 21.9.17

domingo, 11 de junho de 2017

Reflexões sobre o atual estado da Poesia

Bom dia, amigos leitores,

É bom ver rostos jovens e com olhar de sinceridade, em primeiro, bondade, em segundo, e de beleza, como Deus dota de qualidades adequadas a cada boa alma.

      Bom, se queremos refletir o atual estado da poesia na história, precisamos saber o que ela é, em sua essência. Comecemos com o que ela não é, e infelizmente vemos na quase maioria por aí.
       É o bastante ir a qualquer livraria ou ler em qualquer jornal textos que são atribuídos como poemas, mas entretanto não o são. Realmente há escritos curtos, com linguagem simbólica e por imagens, que tem a intenção é objetivo, ou seja, uma finalidade que age como uma causa no escritor, e se transpõe no leitor, isto é uma causa final, conceito de Aristóteles. Toda ação visa a um objetivo, e o texto literário é poético visa a transmissão de uma ideia associada a sentimentos. Bom, a partir daí podemos entender um poema. Mas um pouco de ideias, inteligência, sentimentos, humor, tristeza ou alegria não é suficiente para um texto ser um poema. É preciso verdade, bem e beleza. Eis o que a verdadeira poesia tem em sua essência, e se não as tem, ou as têm em aparência, infelizmente, não é poesia, podem doer os egos, mas não é, ainda que pareça. Isso é muito comum nos textos chamados de poesia hoje, mas que entretanto não a são. E mesmo entre os autores consagrados. Os textos de Drummond, podem ser bonitinhos e bem humorados, mas são de uma qualidade abissalmente inferior a Camões, Shakespeare ou mesmo Cecília Meireles. Eu não gosto pessoalmente de Fernando Pessoa, já o lera muito quando moleque e adolescente, e mesmo depois tentei combater e puxar o tapete deste grande e popular mestre negro, mas ainda que eu não goste dele, é certo que ele é um poeta, ainda que maléfico, nihilista e fatalista, mas que tem ideias, filosóficas, e certa beleza refinada, apesar da tristeza, depressão e/ou desespero. Ás vezes ele é bem humorado, ou de um humor negro, mas isso não é de muita relevância. A questão de Pessoa, e de quase todos os poetas modernos e contemporâneos, bem como medievais, como Petrarca, ou antigos, é que falam grandes verdades, com grande beleza, mas em parte, grandes mentiras e coisas horrendas disfarçadas sob mantos e véus, ou seja, veneno mesmo, no meio de um precioso perfume ou exuberante refeição. Mas afinal, o objetivo, a causa final é envenenar, ainda que quase todo o perfume é todo o prato seja saudável é uma delícia. Nem tudo que reluz é ouro, frase tão antiga, e hoje, ainda mais incompreendida, na propaganda idade da informação e do conhecimento. Uma boa avaliação e prova seria se perguntar se se sabe a diferença entre uma informação e um conhecimento, onde há uma grande diferença, porém é bem comum e democrático que não o saibam.
        Além disso,  na literatura e na poesia, como arte, é desde os antigos gregos, necessário que se dialogue, implicita ou explicitamente com outros autores. Não se faz arte sozinho, como é comum ver, hoje em dia aos montes. Se virmos os livros de literatura popular, e mesmo muitas vezes livros de intelectuais, sem referência, sem dar créditos a ideias que são de outros, roubando estas ideias, somos um povo sem memória, e portanto sem história, e enfim, por causa disto, não sabemos de onde viemos, quem somos, onde estamos e pra onde iremos. Não adianta falar o vocabulário artístico e intelectual de hoje, se não se sabe articulá-lo, e se fica visível e ridículo que não se sabe usá-lo e aplicá-lo, no dia a dia, aos outros e a si, a serviço da vida e de Deus, e não à serviço do individualismo e do egoísmo, do mal, da confusão, da loucura ou neurose.
        Vale bem mais a pena, jovem alma poeta, se exercitar no uso das palavras simples, sempre pensando o que fazer, antes e depois de agir, temperança nas ideias também, e saborear elas com decência, responsabilidade e bom gosto, para se auto educar, e com a orientação de pessoas mais sábias, pais honestos, bons professores, bons autores, romancistas ou poetas, uma psicologa lúcida (não mais um neurótico), um bom tio, avô ou avó, ir ouvindo os realmente mais maduros, que juntaram muitos conhecimentos e experiências, e formar o seu próprio caráter, aprimorar a sua personalidade, dada por Deus e fazer bom uso dela, para sua felicidade e de todos.
     Um exemplo simples, humorismo, e sério é o homem ou rapaz quando aborda uma mulher com interesse. Digamos um bom coração; o sujeito quer o que ele mesmo entende por "amor". Infelizmente a educação moral (bons costumes), ética (princípios filosóficos sobre e que fundamentam os bons costumes, a política e ação individual, ou seja, fundamentam, teoricamente, a moral, esta ao contrário daquela, prática) e por consequência a educação sentimental é muito ruim. E aí o rapaz que acha que tem um amor altruísta é na realidade individualista e egoísta. Na verdade é o amor romântico, de paixão, exagerado é sentimental, que a literatura Romântica, desde Goethe e os alemães iniciaram no século XVIII, e já havia começado com Petrarca, no Renascimento, que veja-se bem, é o renascimento do paganismo, do mundanismo, do luciferino. Mas isso já é outra questão. O ponto é que a literatura influenciou e influencia muito na educação dos povos e do indivíduo. Influenciou muito aquele que você está lendo agora e influenciou muito a você, meu bom coração.
 Uma pessoa fala "eu te amo". Mas vendo a realidade, na verdade ela está amando mesmo, mas o mais comum é ela estar apenas gostando, oferecendo alguns bens, mas geralmente mais interessado em usufruir dos bem do outro, querer fugir da solidão, sem nem prestar atenção direito à sua presença. Se for o caso, nem é amor nem gostar, o mais apropriado pode ser qualificar como companheirismo, que é outra coisa. Quem gosta e ama quer o bem do outro. Quer o bem para o outro, e não o bem do outro pra si. Isto é a definição de amor de Santo Tomás de Aquino. Quando é egoísmo se qualifica como amor egoísta, ou amor romântico, paixão, sentimentalismo, exageiro. Em alguns casos a pessoa só quer sexo, mas destes é comum a pessoa fazer a falsa propaganda que quer amor. É a diferença da poção de vida e do veneno. Alguns são jardins, outros pântanos, outros palácios, com toda variedade no meio. Como nos pequenos mundos-planetas do Pequeno Príncipe, de Saint Exupéry, ou cada personagem de Alice no país das maravilhas, do escritor e matemático, Lewis Carrol. Há belos rostos, enormes encrencas! Veja se o rosto, belo ou não, tem bondade e amor, alegria, brilho  e nos olhos, ou se não os tem. Mas alguns raros olhares, são portais para as mais verdadeiras, benévolas e belas coisas. São estes os mais preciosos, os que mais importam, são o maior Tesouro.
Ajuntai para vós tesouros no céu, onde não os consomem nem as traças nem a ferrugem, e os ladrões não furtam nem roubam.
21.Porque onde está o teu tesouro, lá também está teu coração.
22.O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado.
23.Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas.
Mateus, 6, parte do Sermão da Montanha, que começa em Mateus, 5. É um texto muito bonito, recomendo, mesmo que o leitor seja ateu, pois o catolicismo ou a Bíblia afirmam verdades universais, e o ateu muitas vezes desconhece as ideias católicas ou cristãs. Como postura filosófica ou humana, mas consciente, deve-se saber direito o que o outro pensa ao certo para analisar e criticar adequadamente. No caso aqui se trata de um texto realmente poético e de poesia.
Porque a boca fala do que lhe transborda do coração.
35.O homem de bem tira boas coisas de seu bom tesouro. O mau, porém, tira coisas más de seu mau tesouro.
36.Eu vos digo: no dia do juízo os homens prestarão contas de toda palavra vã que tiverem proferido.
Sagradas Escrituras, Mateus, 12.

O labirinto dos sentidos das palavras, e o labirinto dos olhares, escondem o Tesouro, aquele da Verdade é da Realidade e este, o tesouro das almas de cada um.
A poesia e a literatura, da mesma forma que o labirinto dos sentidos das palavras, enacadeadas, bem como a filosofia e demais conhecimentos formam hoje um imenso labirinto e enigma, mas cuja Verdade foi Revelada aos homens.

A entrada do Mal é larga, a do céu, estreita. Quase todos os caminhos da poesia e filosofia modernas e contemporâneas dão em becos ou ciladas, ainda que de início e no meio do caminho apresentem grandes verdades e lindas e maravilhosas experiências, mesmo espirituais. Nestas sempre há algumas grandes mentiras, disfarçadas, brilhantemente, que atuam como veneno, embora sejam deliciosas ou encantadoras. Só há um caminho certo, embora escrito muitas vezes por linhas tortas. E este caminho hoje está sob as trevas, mas dentro deste caminho há o genuíno caminho. As trevas não prevalecerão.

Queridos, busquem a verdade, e a tendo a pratiquem e realizem. Amém a sabedoria e a Realidade.

Hoje vemos por espelho (speculum, espelho em latim, e daí especulação) e em enigma (aenigma), mas então, veremos face a face (de Deus, aos que forem ao céu apenas).
1Cor13

domingo, 7 de maio de 2017

Notícias do autor

Olá leitores amigos, novos ou de sempre,

Eu gostaria de contar algumas coisas que me aconteceram, é de importância e pode ser útil.

Conhecer no céu é ver, na terra, é lembrar.

                                  Píndaro

A compreensão profunda de nós mesmos se dá quando percebemos e aceitamos a realidade e a nossa realidade interna, presente, e ao mesmo tempo lembramos e entendemos o que fizemos no passado. No céu, de acordo com a teologia e filosofia católica de Santo Tomás de Aquino, o principal Doutor da Santa Igreja, teremos uma percepção imediata das coisas, nossa inteligência terá realmente a perfeição humana, iluminada pela Santíssima Trindade, onde poderemos conversar com verdade absoluta sobre o imenso espetáculo de glória a Deus que se passou na terra. Mas estamos ainda na terra, então ver agora é compreender realmente o presente através do passado pela nossa inteligência e sensibilidades limitadas, aqui, por enquanto, e antes de cada julgamento individual e final depois da morte de cada um, indo ao céu ou ao inferno.
     Bom, estamos aqui e precisamos nos compreender, quem somos, aonde estamos, a partir de onde estivemos e sobretudo para onde iremos e o que seremos.

      Estive em grandes dificuldades e problemas de saúde, tive uma grande crise de depressão; perdoem-me, por favor, o comportamento inapropriado, estranho, ou mesmo ridículo, os havendo, mesmo na escrita, que também é de grande responsabilidade, tanto quanto as ações. A letra dá vida e dá morte.
       Porém, antes da crise eu já buscava uma espiritualidade, buscava intimamente a verdade , e uma felicidade mais verdadeira, durável e maior. Eu havia terminado o relacionamento com um simples e grande amor, a também poetisa Jacqueline Collodo Gomes, à qual meu primeiro livro, editado, mas não publicado em papel, somente digitalmente e espalhado pela internet e neste mesmo blog. Como ela manteve os poemas e o livro que se referiam a mim, da parte dela, eu tomo a iniciativa de dar esclarecimentos e créditos a ela, que foi a criadora deste blog. As coisas estão perdoadas e a bondade perdura.

Assim, eu perdia um grande amor, que muito me ajudou, muito me feriu, e estava de novo infeliz, "perto do selvagem coração da vida", segundo hoje percebo nestas palavras, um James Joyce, um grande mestre negro, malévolo, que eu vi antes como muito bom, e de Clarice Lispector, da mesma forma descrita, uma grande discípula deste, em terras brasileiras, com um livro de abertura de obra de mesmo nome.
     Eu fiz da poesia e filosofias moderna e contemporâneas a minha religião, mas constatei que eram ilusão, e somente veria depois o que, que partes da filosofia e da poesia eram verdadeiras, a medieval e parte das antigas, em geral, há grandes exceções. Parti assim ao budismo, por proximidade a uma amiga professora da minha escola supletiva onde eu lecionava. Depois de meses de reflexão, e meditação racional e pela compreensão que a fé oferece, e a ajuda de um amigo adventista, o Sr. Cleudo e a "namoradinha" católica Julia, e pela graça da Santa Trindade reconheci a verdade da Santa Igreja Católica e a verdade revelada. O que precisaria e merece uma atenção especial em outra publicação neste blog.

Meu ex-professor de budismo, marido da minha amiga professora, aos quais sou muito agradecido e obrigado, estava certo em dizer que as melhores coisas podem acontecer nas piores horas. Tenho me aprofundado na verdade revelada, deixando para trás alguns erros e paranóias, mas vendo mais claramente, e confirmando-a na vida e realidade, presente, rumo ao futuro, e à grande, última finalidade, e que foi o início de tudo, a Santíssima Trindade.

Hoje vemos por espelho (speculum) e em enigma (aenigma), mas então veremos face a face. [de Deus, os que forem ao Céu]

Trecho de Coríntios livro 1, capítulo 13, capítulo este que foi a chave para minha conversão.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Asas de pétalas - poema, exercício

A terrível lágrima
na queda brilhou luz
caindo dentro da rosa.

Amor caridoso celestial,
proteja-me do amor da terra,
o ensine a desabrochar.

Análise do indivíduo moderno pelo crítico literário Magris no romance de Jacobsen - partes do enigma, fragmentos

Lukács, A alma e as formas.

"A perda de Deus - no dizer de Kierkegaard -, de um valor central, transforma o tempo em monotonia uniforme, despida de um fim, e transforma todos os sentimentos em melancolia, no luto indefinido pela perda de algo que nem ao menos se pode identificar. A melancolia nasce quando não se pode querer, isto é, tender a uma meta, porque não se sabe e não se quer saber o que se deseja."

"A temporalidade devora e dissipa a individualidade; o ateísmo é também a impossibilidade do que Kierkegaard chamava de "retomada", isto é, a revelação da vitória religiosa sobre o tempo, do resgate religioso da finitude."

"No maior de seus livros, A alma e as formas, o jovem Lukács identificou genialmente a vida moderna com o anseio pela vida e o amor com uma privação que o faz continuamente renascer: "O amor"- diz ele, citando Charles-Louis Philippe - "é tudo aquilo que não se tem".

"A arte de Jacobsen é um confronto com o indizível, jamais alcançado mas sempre perseguido pela palavra, que só quer roçá-lo sem lhe fazer violência. O indizível é a vida, a brisa entre as árvores e o azul da pervinca, a melodia que chama com um murmúrio ininterrupto. O indivíduo, urdido por essa melodia mas também disperso e dissipado por ela e por seu desenrolar no tempo, não pode de modo algum dominar o murmúrio vital. Ele vivencia seu próprio pensamento não como ato soberano proveniente de sua pessoa, mas como condensação iridescente e leve que brota obscuramente da vida, como uma bolha de ar ou um vapor de névoa que se elevam do rio. O indivíduo não se identifica com o pensamento, não o sente como seu, mas como estranho e impessoal, distinto do seu agir: cavalga no primeiro pensamento que se lhe apresenta e deixa-se levar por ele; o pensamento acompanha o olhar que se projeta ao longe e com ele se perde nas enseadas do fiorde, ou então cintila na mente e dissolve-se antes de tomar forma, lança-se sobre o ânimo como uma revoada de pássaros ou se retira de uma fronte sem perturbar a límpida profundidade de um olhar que espelha a vida.
     O pensamento confunde-se com os sentidos, é aliás uma atividade sensorial, impressão física na qual percepção e projeção acavalam-se como o pensamento que, no início da Recherche [Proust], eleva-se e dilata cautelosamente para testar as dimensões do quarto, enquanto o narrador jaz sobre a cama. Ao invés de ser o lugar que resolve em si as contradições do real, o pensamento é o fermento dessas contradições, o agente químico que dissolve a unidade do mundo e do vivido."

"Jacobsen é o poeta dessa cisão entre o eu e a vida, o eu e seu próprio pensamento, cisão que destina o eu à dispersão, à dor de existir - como escreve Woolf em As Ondas - disperso como neve esparramada nas montanhas. Como Maria Grubbe, também Niels Lhyne é um romance da paixão amorosa e sexual - ou melhor, da desilusão amorosa. A paixão perde seu grande estilo, a força de dar impulso e unidade à vida; Jacobsen é um analista do grande estilo que se desarticula em minúcias centrífugas, da paixão que se estilhaça na ambiguidade tortuosa, da queda das alturas do amor. Niels Lhyne experimenta a falência dos valores, a insuportável e estéril tensão da sensibilidade submetida aos estímulos de uma modernidade cada vez mais torturante. Sua história dispersa em fragmentos é a negação de toda formação orgânica e unitária da pessoa."

Claudio Magris, As moedas da vida, in Niels Lhyne, Jens-Peter Jacobsen.